Escritos Vários

Repositório de artigos vários, publicados ou inéditos, de Mário Rodrigues

sábado, setembro 24, 2005

Cuidado com este homem!

É certo que a criatura não tem capacidade, nem competência, nem qualificações para exercer o cargo que o padrinho lhe deu de mão beijada com a golpada da demissão do Governo anterior. Mas, para infortúnio pátrio e pelas razões que todos conhecemos, é ele que ocupa o lugar de Primeiro-Ministro, ainda que nem à altura de um modesto Presidente de Junta, de um lugarejo rural, o consigamos divisar.

E pior do que tudo isto é que, em vez de Governar no estrito interesse nacional, o senhor José de Sousa, que o vulgo conhece como engenheiro e pelo nome de Sócrates, se comporta ao nível do pior que há em certas e bem determinadas juntas de freguesia, em arrogância, em prepotência, em incapacidade e sobretudo em sectarismo e caciquismo...

Não lhe chegou mentir despudoradamente quando na campanha eleitoral ludibriou os seus incautos votantes, ora dissimulando quanto a alguns ocultos propósitos, ora tergiversando quando confrontado com incómodas questões, ora, ainda, trapaceando quanto a certas falsas promessas. Não lhe chegou tudo isto...

A criatura é pequena, demasiado atrofiada em compleição intelectual e completamente engogada em estatura moral, por tudo quanto se está a ver e sobretudo pelo que se verá nos próximos tempos... É triste ter de o dizer...

Esconde a falta de soluções para os graves problemas nacionais com umas engenhosas medidas avulsas habilidosamente calendarizadas que só engodam a ignara populaça. Mascara a sua proverbial ignorância em todas as matérias, sejam de Economia, de Finanças ou de Direito, com um discurso balofo, vazio e demagógico, de onde se não extrai a mais ínfima substância. Oculta a falta de coragem em ir até ao fundo das questões com uma insuportável altivez e uma estranha irritabilidade imprópria de um Homem, e mormente de um Homem de Estado...

Mas tudo isto ainda é pouco perante a gigantesca gravidade da situação que se nos antolha!

Apenas para fugir do essencial e desviar a atenção dos Portugueses face aos seus gravíssimos problemas, não teve pejo em espezinhar a Constituição para permitir o referendo ao aborto, como se a Lei Fundamental do País fosse uma mísera folha de papel sujo na qual qualquer facínora limpa as suas imundas mãos.

Preocupado com os resultados de algumas incómodas investigações judiciais, vive obcecado com a substituição do Procurador-Geral da República, cujo cargo, se dependesse apenas da sua atrabiliaridade já estava em mãos mais "convenientes" para si e para os seus...

Acoitou sob a imunidade diplomática e engendrou forma de facilmente pôr a coberto da imunidade parlamentar dois conhecidos comparsas do partido que quase diariamente são referidos num polémico e vergonhoso processo judicial.

Promoveu uma vil negociata de modo a colocar sob mãos espanholas e socialistas o segundo maior grupo português de comunicação social, e por outros meios não menos ínvios começou a controlar, não muito à distância, quase toda a restante imprensa de âmbito nacional...

E antes de alterar o regime legal do provimento de cargos públicos, fez milhares de nomeações que encheram o aparelho de Estado com agentes do seu partido e atafulharam as empresas públicas com amiguinhos do peito. Não contente com isso, a pouca vergonha que revela permitiu-lhe ousar colocar no Tribunal de Contas um simples comissário político que, além das incompatibilidades de que está ferido, provou nos ministérios da Educação e das Finanças ser um total incompetente que causou ao País danos colossais de que Portugal dificilmente se livrará nas próximas décadas.

Perante esta confrangedora falta de princípios e ausência de valores éticos, não se estranha a demissão do competente e impoluto Ministro das Finanças, não causa surpresa a traição cometida contra Manuel Alegre em favor do Pai da pútrida e fétida Terceira República, nem se suscita qualquer admiração com o miserável caso felgueirense que perfeitamente sintetiza tudo quanto este regime tem de ignóbil e a sua vida intrapartidária tem de nefando.

Os factos estão bem à vista!... Bastaram seis meses para vermos o que este indivíduo sem escrúpulos é capaz de fazer! Com ele todo o cuidado é pouco, principalmente quando quem lhe deu numa bandeja rosada o poder que hoje exerce se mantém calado e cúmplice com todos os atentados que vem cometendo contra o Estado de Direito e a Dignidade dos Portugueses! Cuidado com ele! Muito cuidado!

Publicado no jornal O Diabo, de 11/10/2005